Era um tipo de tortura te amar, e por isso eu fico aliviada, aliviada por você ter me dado um basta. Não é que eu não te ame mais, ou coisa do tipo, só fica mais fácil me ver livre dessa monomania. Eu estou morrendo de raiva de você, só por hoje. Só por hoje, eu tô te detestando com a minha alma, por despertar em mim tanta esperança, tanto sonho, por me fazer desenterrar tanta lembrança. Juro que amanhã passa, mas eu te detesto agora. Porque eu desenterrei tanto amor, que eu custei pra enterrar, e foi em vão. O que eu faço da minha vida agora? Além de seguir em frente, tenho alguma motivação? Eu preciso encontrar um motivo novo, entende?
Tem um lado bom nisso tudo. Além de você ter me libertado. Talvez só mais um. Eu consegui entender, finalmente, que às vezes, o seu amor não fora feito para ficar consigo. Talvez você tenha sido uma das metades que me faltavam, mas devem existir tantas outras lá fora, e uma delas há de me completar. Talvez um de seus átomos façam parte do meu corpo, mas não éramos para ser.
Apesar de tudo, eu te agradeço por não me fazer acreditar que você seria meu.
(Ana F.)
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