Eu não consegui escrever. Não consegui finalizar nenhum texto. Fiz inúmeros rascunhos e tentei juntá-los, mas não faziam sentido algum. As palavras não soaram do jeito que eu queria, e eu larguei-os de lado. Enfim, eu não consegui escrever. Ouvi dizer, ou li em algum lugar, que tristeza faz arte, e talvez seja este o meu problema. Eu não estou triste. Pela primeira vez, depois de tempos, eu estou me sentindo feliz. Eu acordei nestas últimas semanas com prazer de viver, eu acordei com o prazer de saber que eu tenho alguém. Não é um amor qualquer, daqueles que você se sente completa, mas depois desaparece. Não é só um amor. São os amigos que eu encontrei pelo caminho. É a minha melhor amiga, o meu namorado, o meu pai, a minha mãe. São todos que me rodeiam. É quando tudo parece dar certo, mesmo que não esteja tudo certo. E quando tudo parece ter mais cor, mais movimento, e não parece ser vazio e frio. É aquela sensação que você olha para suas meias sujas e não vê problema em lavá-las. Em que você percebe que não há má vontade de lavar a louça. É aquela sensação incrível de pensar em como as coisas parecem mais felizes. E talvez seja por isso que eu não consigo escrever.
Eu não sei escrever sobre a minha felicidade. Não há muito o que dizer. Os motivos para estar triste podem ser tantos, e dão inspiração para arte. Mas quando estamos felizes, não precisamos ter realmente um motivo. Para mim, felicidade é um estado reprimido ou expandido. Se você estiver se sentindo para baixo, a felicidade está lá dentro, em algum lugar, encolhida. Uma hora ela se expande, e transborda suas tristezas. Talvez um dia elas voltem, mas enquanto a felicidade estiver ali, por inteiro, não sobrará espaço para as tristezas. Quando se está feliz, assim como quando se está triste, todos as alegrias (ou tristezas) são motivos para fortalecer o estado em que se está. Mas olha, dei voltas, achando que havia descoberto o segredo da tristeza, ou da felicidade ou da minha inspiração, mas acho que me compliquei de novo. Acabei descobrindo que a tristeza ta,bém é um estado. E então, porque não consigo escrever? Eu queria falar sobre o garoto que tem olhos castanhos e que ficam dourados quando olho para eles. Queria falar do bem que ele me faz. Mas nada mais consigo dizer. Queria falar sobre a minha amiga que está triste e que tanto quero cuidar, mas não consigo. Queria falar, outra vez, sobre a minha amiga por quem me encanto toda vez que a vejo, e sobre como sua presença também me faz bem. Tenho tanttos motivos para ser feliz, e tantos para escrever, que por muitas vezes não consigo colocar em palavras. Talvez me falte tempo, ou vontade, ou talvez até mesmo paciência. Com tanto motivo para ser alegre, por quê me prender a um papel e a uma caneta, enquanto posso viver? Depois, quando a ressaca vier, poderei escrever sobre meus dias felizes.
- Acho mesmo é que não passou de uma preguiça, Ana F.
Nenhum comentário:
Postar um comentário