Certamente você não ouviu falar do menino que pulou do prédio semana passada. Foi numa cidade qualquer, num inverno qualquer, e foi um menino qualquer. Mas não foi um motivo qualquer. O menino angustiou-se com a vida, angustiou-se com uma dor tão forte que só pôde pará-la se atirando de um andar qualquer.
O menino era jovem, jovem demais. Tinha não mais que 12 anos, e tinha tudo para ser feliz. Casa, educação, família. E ele tinha seu melhor amigo, o qual valorizava mais do que o próprio pai, ou a própria mãe. Seu amigo era tudo, seu amigo era sua vida. Os pais estranhavam aquela amizade, suspeitavam de tudo, eram pais babacas. Quiseram por fim, quiseram separá-los, mas nunca deu certo. Eles desejavam que a vó do menino fosse para outra cidade, o amigo do filho deles não tinha os pais. Desejavam que a vó se mudasse e o levasse junto. Os pais não queriam que houvesse mais os dois meninos juntos. Mas eles não podiam ser separados.
Para felicidade dos pais, por mais sádico que seja, aquele menino contraiu uma doença, e aquele menino sofreu demais, e aquele menino não sobreviveu. Aguentou dois meses apenas. Seu amigo chorou todas as noites, enquanto os pais lhe tiravam todas as esperanças. Ele também aguentou dois meses apenas.
Amargurou-se, tão jovem, estava sem doce. Não era mais juvenil, não havia brilho da juventude. O menino perdeu a felicidade, perdeu toda a doçura, todo o brilhar. E ele viveu mais 1 mês apenas. E nos mês anterior, já havia morrido. Clichê dizer que o menino morreu quando seu amigo o deixou, mas foi. Naquele mês, o menino realmente morreu de dentro para fora.
Já que não tinha outros que o substituíssem, o menino desistiu. "Não se substitui amigos, muito menos o melhor, muito menos a sua outra metade", pensou. E ele pulou do prédio semana passada.
(Ana F.)
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