Ouvi muitas vezes que esse sentimento ficou em mim porque não entendi o fim. Talvez seja isso. Por tanto tempo, me convenci de que te amava, justamente porque não conseguia largar essa adoração que restou em mim por você. Mas era só resto. Eu finalmente percebi que você é só resto dentro de mim, ainda bem. Eu lhe escrevi uma porção de pseudo cartas, eu sonhei com você mais vezes do que posso contar, eu andava pelas ruas na esperança de encontrar com você. Eu me afundei algumas vezes, devo confessar, chorei por você. E hoje só penso o quanto fui fútil, o quão imbecil fui de acreditar numa paixão de infância, já que a nossa não passou disso. Lembro-me bem, não durou quase nada, eu nem sequer havia beijado-o. Mas, por que então, tempo depois de ter partido, esse sentimento cresceu em mim com tanta força?
Eu ficava observando você, analisando você, sondando você. Sabe, que no dia que você me chutou pra fora, eu chorei um tanto também, e depois, eu me afastei. Talvez você tenha sido a pessoa que mais me afetou. Eu perdi boa parte da menina que eu era, e passei a ver o mundo com mais realismo. Foi isso que aprendi com você. E só. Mas, quer saber? Sei que o seu eu não é mais como eu sempre pensei que era. Você não é mais o herói que era para mim. Nós crescemos, eu cresci, e você também. Ambos mudamos. E isto é o que tenho mais dificuldade de aceitar. O que sobrou de você em mim, é resto.
Você é resto porque só quem você era antes está dentro de mim, eu só te guardei, porque tinha esperanças de que você era o mesmo, e achei, no mais infantil pensamento, que um dia poderíamos ter volta. Mas não teremos. Não teremos porque você não é quase mais nada do que era. E é por isso que você é resto. Tenho que aceitar, cada um de nós seguiu um caminho, e não temos mais nada a ver. Você só restou em mim, porque não tivemos um fim explicado. Você simplesmente pulou para fora do meu barco, mas jogou uma âncora, para que eu ficasse presa. Esperando.
Vou lhe contar, que uma pequenissíssima parte de mim, estará guardando os momentos bons que tive com você, porque afinal, todos que passam por mim me tocaram de uma forma, todos deixaram sua marca. Algumas foram tão superficiais que quase não resta nada, mas marca é marca, fica para sempre, mesmo que não lembremos. A sua marca é mais profunda que as outras, mas com mais tempo, vai diminuir, vai enfraquecer, e posteriormente, outros deixarão marcas tão profundas quanto as suas. Eu sou muito jovem ainda, vou conhecer ainda muita gente nova.
E você, é só resto, um resto bom. E eu estou feliz por ter finalmente ter entendido que eu nunca te amei. E que você nunca voltará. Fico feliz de poder estar livre para me apaixonar tão intensamente quanto me apaixonei um dia por você. Todos um dia serão resto também. Mas resto, meu bem, resto é memória. E as memórias são tão preciosas quanto o presente. Você é resto, você é memória, e, ainda bem, é só.
Ana F.
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