quarta-feira, 27 de junho de 2012

A garota que me encanta

A saudade que às vezes me dava dela era uma coisa de louco. Andamos juntas durante três anos, no máximo, de segunda a sexta e em alguns finais de semana. Não a vejo com tanta frequência hoje em dia, e por isso me tanta falta. O sorriso que ela carregava era divino, eu não percebia, mas ele iluminava todos os meus dias. Ela tinha um jeitinho irônico, mas era a garota mais adorável que eu conheci.

Aquela doçura dela nunca me enjoou, e ela me encantava tanto que eu morria de amores. Ela era linda. Era magrinha e sem muitas curvas, a pele morena, e os olhos puxados, e os cabelos negros e lisos, parecia uma índia, mas era descendente de japoneses. Tinha uma fome por livros e uma cultura incrível, ia ao teatro e era ótima aluna, gostava de The Beatles e música popular brasileira, sua cor favorita era vermelho e gostava de chapéus e bolsas.

Eu me recriminava porque morria de preguiça de sair de casa, e ela sempre me chamava para ir até a dela. O difícil era sair daqui, mas quando eu me encontrava com ela, percebia que trocaria cem tardes na minha casa para passar um dia inteiro só com ela.

Ela me encantava, me encantava tanto que eu já cogitei a possibilidade de ser um homem por dentro. Mas eu nunca sei. Sou mulher e homem por dentro, e quando penso nela, é meu homem quem pensa por mim. É extremamente estranho, imagino se um dia ela ler isto o que pensará de mim. Esclareço logo de uma vez: nada demais. É só uma admiração maluca, e nada mais.

Ela me chamou para ir na casa dela essa semana,quer me mostrar o ukelele que ela ganhou.Estou morrendo de saudades daquela gargalhada fraca dela, daquela cara de sono ou de cansaço. Do sorriso que surge quando digo alguma bobagem. Vou jogar essa preguiça no lixo e botar vergonha na cara. Essa semana eu preciso vê-la.

(Ana F.)

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