sexta-feira, 4 de maio de 2012

Trouxe você na bolsa.

Sentei-me para tomar um café, logo ali na esquina, e puxei da bolsa um caderno. Mal comecei a escrever, e uma moça, muito bonita, veio anotar meu pedido: "o de sempre", pedi. Ao checar que a moça fora embora, retomei a escrita. Muitas páginas já estavam escritas, algumas rasuradas, outras faltavam pedaços, e ao olhar numa delas, percebi um número de telefone. Estranhei, e conferi de quem era o número, e se assustei-me ao ver o nome "Daniel" grafado num cantinho do caderno. O coração bateu acelerado, como há muito não batia. Esse nome que me causava arrepios, toda vez que ouvia, toda vez que o lia, toda vez em dois anos. Porém, fazia algo mais que um mês que não o pronunciava, e já vinha me acostumando com a ausência, por isso me causou espanto.
Eu tinha um caderninho em cada uma das minhas três mochilas, e naquela bolsa, eu não lembrava que tinha um. Tinha muita coisa lá dentro que há muito não via. Aproveitei o flash de lembrança, e descobri mais algumas quinquilharias que eu sentia falta, inclusive aquele velho caderno, que não usava desde aquela época em que nos perdemos. Estava nas minhas mãos, com certeza haveria um turbilhão de memórias enterradas ali, e por serem suas e de mais ninguém, resolvi olhar. Confesso, só o abri porque sabia que eram apenas sobre você, se fosse de qualquer outra época, nunca teria aberto, eu iria preferir deixar enterrado mesmo. Mas era você. Já não adiantava mais deixar quieto, ou ignorar completamente sua existência, porque sempre dava um jeito de voltar. Você sempre voltava, por mais que o tempo passasse.
Já na primeira folha, um desenho seu. Em seguida, a minha caligrafia torta, pedindo desculpas pelo meu jeio, também torto, de te amar. Páginas e páginas dizendo o quanto aos meus olhos você era bonito, o quanto me sentia segura tendo você. E logo, mais para o meio, uma carta sua... De novo senti meu coração, e não contive minha ansiedade para ler. O que estava escrito, não vem bem ao caso, era essas coisas, de quando se está apaixonado, mas não cabia transcrevê-la aqui. O que me doeu, foi enxergar sua caligrafia em um de meus pertences! Sua letra era tão bonita, e mal haviam erros, escrevia tão bem que quase me fez chorar, ali mesmo naquela cafeteria. Inevitável o sentimento que eu tinha toda vez que me lembrava de você. Era uma saudade incrível! Mal cabia no coração. Era incrível, porque já se faziam dois anos, e ainda conservava em mim aquele sentimento. Por mais que um dia eu acordava sem me lembrar de você, por mais que eu dissesse que naquele dia eu havia superado, de qualquer jeito, sempre voltava a ser você.
Ao terminar de tomar o meu café, arrumei minhas coisas dentro da bolsa, e nem pensei na possibilidade de jogar todas aquelas lembranças fora: não aguentaria, seria como perder uma parte de mim. Saí pela porta de vidro, e quase esbarrei na senhora que passava do meu lado, estava um tanto atordoada. Virei a esquina em direção à minha casa, e não foi pra menos: avistei de longe, com o coração na mão, do outro lado da rua. Lá estava você.
(Anna)

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