Estes dias chuvosos, estes dias gelados, tornam frio o meu coração. Alguém me doa um abraço? Estes sorrisos alheios, estes beijos bem dados, só machuca o portão. Entende o que eu digo? Meu coração, meu portão, cuidam do meu amor. Agora compreende? O meu amor, o coração guarda. O meu amor, o portão protege. E que tempo gélido é esse que me abre os portões? Que tempo gélido é esse que desguarda o meu amor? Dá vontade de deixar quem quiser entrar, e de correr pros braços de alguém.
Diz pra mim, que frio é esse? Que me dá carência, que me dá preguiça, que me dá tudo, menos amor. Que me dá ódio, que me dá amargura, que me dá qualquer coisa, que não seja carinho. E essa chuva? Que me molha os cabelos, que me molha os sapatos, as meias e os olhos, mas não lava uma alma sequer? Que molha tudo, mas não me lava por inteiro.
Costumava ser atraente, estar na chuva, e até mesmo sentir frio, quando eu tinha você. Se bem, que acho que nunca senti frio com você. Costumava ser a melhor coisa do mundo, esperar a chuva passar, embaixo de um telhado, abraçada com você. Tudo costumava ser melhor quando eu estava com você.
Eu não passei a odiar o frio, e muito menos a chuva. Aliás, detesto o calor. Amo passar frio, vestir moleton e assistir a chuva. Amo sair de manhã cedo e soprar pra ver “fumacinha” saindo da minha boca. Amo deitar no sofá, assistir filme, e fazer café no frio. Amo andar de guarda-chuva.
Acho que foi você que me ensinou a apreciar isso. Mas estes dias, que os deuses ouçam este meu murmúrios: “aqui só falta você!”, estes dias eu tenho sentido mais do que a sua falta. Este tempo me traz mais do que suas lembranças, este tempo me traz a melancolia de ter que deitar na cama e lembrar de que já faz muito tempo que não te vejo, e mais tempo ainda de que não passeamos mais na chuva. Cadê você?
(Anna)
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