Eu sei que sempre tentei te guardar. Eu nunca quis te jogar fora, achei que te jogar numa dessas minhas gavetas bastaria. Afinal, depois de um tempo, minhas coisas costumam desaparecer. E eu achei que você também desapareceria com o tempo. Mas de nada adiantou trancar aquela gaveta a sete chaves, rasgar uns papéis que te lembrassem, e deixar só uma foto. De nada adiantou transbordar você em uma imensidão de pseudo cartas. Achei que de tanto deixar você cair pelas bordas, um dia estaria vazia. Mas para isso eu teria que me entornar. Eu teria que me esvaziar toda para poder me ver livre de você. E eu não o fiz.
Sempre teve aquele resto de você dentro de mim, bem lá no fundo do recipiente. E por mais que às vezes eu me esquecesse do que havia no final, acabava te encontrando. Mas havia aquele receio de te perder, e por isso eu não quis deixar que você fosse tirado de mim. Por mais vezes que eu tenha perdido as esperanças de te reencontrar do mesmo jeito que nos encontrávamos, por mais vezes que eu me desiludi das ilusões que me prendiam à você, eu sempre me prendi à aquela última gota de esperança. Talvez seja por isso que você sempre volta.
Hoje eu me agradeci por nunca perder esta última esperança de te ver. Já falei sobre ontem. Só me perdoa se eu disse coisas demais. É que eu me cansei de esconder todas as coisas que eu tinha para lhe dizer. Eu sei que você já sabia de quase tudo. Mas eu queria que lesse, que ouvisse, que entendesse tudo mesmo. Mesmo que não tenha surtido efeito algum em você, eu estou satisfeita. Eu queria que você soubesse ainda, agora, que meu coração continua batendo num ritmo acelerado, embora tenha diminuído. Que eu sonhei com mãos entrelaçadas, e com você. E que depois de pensar um pouco, eu tenha percebido que você foi a única pessoa por quem eu realmente me apaixonei. Que foi o único pra quem eu diria sem dúvida e sem medo, agora, que eu não sei viver sem. Que depois de tanto tempo eu continuo com aquela mesma mania de pensar que tudo é você.
Eu sempre me dei bem com o platônico, e é assim que eu vou te levar. Porque eu voltei com aquele meu velho clichê de não te esquecer, com aquele velho clichê de achar “que já tinha superado”. E no final das contas, eu acho esse o meu sentimento mais bonito. Talvez porque eu não tenha vivido nada de muito especial. Ou talvez porque esse tenha sido feito pra ficar para sempre. E nada em mim foi infinito - me perdoa o exagero, porque eu ainda nem tenho o direito de usar essa palavra- a não ser você. Só sei que você vai ficar por aqui de novo por mais uns tempos, e eu já estou esperando o dia que vou te ver de novo. Só sei que uma hora ou outra você some e eu me esqueço, e que um dia você volta de novo. E eu espero que seja sempre assim.
(Ana F.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário