sábado, 23 de junho de 2012

Já estou com saudade

Você aparecia sem avisar, em domingos de manhã cedo, em sábados de tarde, em quartas nubladas, e noutros dias que dessem na telha, mas nunca vinha quando eu precisava. Você surgia quando eu menos esperava, e me fazia te odiar por ter que te fazer me ver toda desarrumada. Nunca dava aviso, e já apareceu no portão da minha casa enquanto eu ainda estava de pijamas, e eu tive que correr para colocar uma roupa decente. Eu nunca gostei dessas surpresas. Eu nunca gostei de te receber na minha casa. Desconfortável, porque você gostava tanto de mim e eu só te achava meu amigo. Porque não tínhamos muito o que conversar, ou talvez tivéssemos, mas eu não queria conversar. Era esquisito demais e forçado demais, e eu demorei para me acostumar.

Fui deixando você conhecer minhas coisas, e fui deixando você conhecer parte da minha vida. Eu tentava esconder os defeitos, para não te assustar, e tentava sempre parecer confiante, e não lhe dar muita bola. Eu queria que você visse que eu não era bem quem você queria, mas você não enxergava. Eu tentava encontrar todos os modos possíveis e educados, sutis, de te mostrar que você nunca conseguiria meu coração.

Você foi se tornando mais frequente, e todos os fins de semana vinha jogar videogame comigo. Você começou a dizer normalmente, como se fosse fácil, que me amava, dizia coisas doces, por mensagens, e por vezes falava mesmo. E eu fui me acostumando. Você passou na minha escola, e sorriu para os meus amigos, e eu fiquei envergonhada. Você me levou até em casa, e conseguiu me arrancar alguns sorrisos, me fez te esperar no dia seguinte, e me fez dizer mais "nãos" do que eu estava acostumada a dizer. Você me fez passear com você, e lhe dizer todos os meus problemas, e eu não me protegia, soltava palavras sem pensar, e você foi conhecendo tudo. Começou a ler meu blog, e para você, tudo começou a fazer mais sentido. Descobriu minhas fraquezas, e foi conseguindo me conquistar de pouquinho em pouquinho.

Naquela terça-feira à noite, no Dia dos Namorados, você apareceu, e me fez sentar com você na minha calçada. Você me fez sorrir demais, e eu subitamente me encostei e ouvi seu coração bater bem forte. Naquela noite, eu segurei sua mão e senti meu mundo voltar ao lugar dele. Senti tudo se encaixar. Senti que eu estava bem segura. Eu estava com um pouco de frio, e você passou o braço pelas minhas costas e me aqueceu um pouco. Naquela noite, eu entendi que era você quem deveria entrar dessa vez. E agora, é de você quem eu preciso. Eu percebi que já deveria ter te deixado entra há muito tempo, e me repreendi por não ter percebido antes e me poupado da solidão que já me acompanhava.

Agora, gosto tanto de você que confundo com paixão. Mas eu me prometi que iria devagar com os sentimentos. Agora, tenho medo de me cansar de você. Agora tenho medo de te machucar. Tenho medo de que eu passe a ver você como minha paixão, e que assim, passe a te amar, e que assim, possa te perder e chorar depois.

Eu gosto de você, e não é pouco, garoto. Mas cuida de mim, e não me deixa desistir de você. E não desiste de mim. Eu preciso de você. Mas vê se aparece mais vezes, eu morro de saudades. Não some assim, tem quatro dias que não te vejo e já me sinto só. Estou morrendo de saudades, e o pensamento está em você. Preciso te abraçar como te abracei na última vez que te vi. Preciso que você venha cuidar de mim logo. Preciso que você saiba que eu preciso de você. Eu gosto de você.

(Ana F.)

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