Eu acordei com vontade de te guardar. De te deixar num canto de quarto qualquer, e sair. Acordei pronta para superar, e encontrar com alguém numa outra rua, num outro lugar. Eu estava disposta a achar um outro alguém, por quem me apaixonasse a segunda, ou a terceira vista, que fosse.
Porque te amar já estava ficando cansativo. Já doía um pouco mais do que eu esperava. Não sei se era meu limite, mas te amar já chegava as primeiras barreiras. Eu havia planejado conseguir o seu amor, nem que tivesse que esperar mais dois anos. Mas já haviam passado, e as vezes eu notava um cansaço. Porque já me ensinaram que se é amor, não deveria acabar, mas amar por dois era difícil suportar.
Eu sei que se um dia te encontrasse, tudo voltaria. Se eu deixasse você bem ali na minha gaveta, eu sabia que se olhasse nos seus olhos outra vez, tornaria a te amar. Foi por isso que te guardei. Nesta manhã, eu escrevi num pequeno pedaço de papel o seu nome, e guardei. Só para não me machucar mais. Porque eu estava precisando de carinho, e você não vinha nunca, porque eu precisava de amor, e você nunca veio. Eu precisava mesmo amar um outro alguém, eu precisava gostar de alguém que gostasse de mim.
Então, eu te deixei ali, bem guardado na gaveta, para não ter de carregá-lo todo dia comigo. Que assim, o tempo me diria se você voltaria. Eu fechei os olhos, e dormi, só para sonhar uma última vez com você. Eu deitei na cama, e pedi para todos os deuses que me mandassem uma nova paixão. Meus pés já doíam de tanto procurar, e meu coração estava cansado de bater tão frequentemente no mesmo ritmo. E tão devagar. Tum. Tum. Tum.
Chamei por alguém que quisesse me dar carinho. Chamei por alguém que meu coração aceitasse. Agradar esse meu coração que acostumara a te amar, já era um outro problema a lidar.
(Anna)
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